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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

‘Buchecha’ completa 50 anos como massagista!!!

Diego Carvalho

‘Buchecha’ acredita na subida do Social para o Campeonato Mineiro do Módulo I
Tudo começou no início da década de 60. O garoto nascido em Ferros (MG) chegou ao Vale do Aço para trabalhar. Com pouco mais de 17 anos, ele foi ser massagista do Olaria, time de futebol amador de Timóteo. Casado com Miris Maria Marta Rosa e pai de dois filhos, Fábio e Fabiana, ele se orgulha da profissão que exerce há 50 anos. José das Dores Rosa, um nome que poderia passar despercebido se não fosse o apelido que o faz ser conhecido nos campos: ‘Buchecha’. Assim mesmo! Com ‘u’ em vez de ‘o’. Dono de uma alegria imensa e de uma velocidade invejável, ‘Buchecha’ relembra, em entrevista exclusiva ao quadro ‘Personagem da Semana’, momentos marcantes vividos ao longo da carreira.

JVA – Como começou sua carreira como massagista?

JOSÉ DAS DORES ROSA (‘BUCHECHA’) – Eu comecei a minha carreira no Olaria, time de futebol amador em Acesita, em 1962. De lá eu saí e fui para o Náutico, também no amador lá. Eu jogava no time aspirante, já que na época não havia nem juvenil, nem júnior. De lá eu fui para o Laminação, onde eu jogava e também exercia a função de massagista, para ganhar um dinheiro. De lá eu vim embora para Fabriciano.

JVA – Como era o ‘Buchecha’ jogador de futebol?

´BUCHECHA´ - Como jogador de futebol eu nunca fui bom. Eu era um ponta-direita, do tempo antigo. Mas eu não jogava no time de cima porque eu trabalhava como massagista para ganhar um dinheirinho. Eu até tinha bola para jogar no time de cima, mas eu atuava no time de baixo.

JVA – De que maneira surgiu o apelido?

´BUCHECHA’ – Não me lembro a época. Fui fazer um jogo em Acesita e cheguei ao campo. Eu estava comendo um pedaço bem gorduroso de carne de porco. Quando eu cheguei todo mundo reparou e comentou que eu tinha comido e que minha bochecha estava suja de gordura. A partir daquele dia, o apelido pegou. Mas eu não me incomodo. Hoje sou mais conhecido como ‘Buchecha’ mesmo.

JVA – O que mudou no futebol, comparando a época em que você começou com os dias de hoje?

´BUCHECHA´ - Hoje é mais fácil porque tem escolinha, infantil, juvenil e júnior. E o jogador que chega ao profissional já está preparado e sabendo de tudo. Mas naquela época era diferente. O atleta começava no aspirante. Se fosse bom, ele jogava. Se não fosse, ficaria encostado mesmo.

JVA – Várias pessoas envolvidas com o esporte, antes da profissionalização do futebol, aliavam um emprego principal com o esporte de maneira secundária. Isso também ocorreu com você. Como funcionava?

´BUCHECHA´ - Inclusive o Social, quando começou, muitos jogadores trabalhavam e jogavam. Eu mesmo tinha muitos colegas que trabalhavam na Usimec e jogavam no profissional aqui. Muitas vezes, as empresas liberavam os jogadores. Hoje é bastante diferente. Naquela época havia muitos jogadores bons. Muitos deles passaram pelo Social. Hoje tem muito jogador bom também, mas tem muito “perna de pau” ganhando dinheiro também e eu nem sei como.

JVA – Em quais equipes profissionais você atuou?

´BUCHECHA´ - Eu passei pelo Ideal, pelo Aciaria em 1997, que teve um ano profissional para segurar os garotos mesmo. Depois do profissional eu fui para o júnior do Ipatinga, na disputa da Taça BH da categoria. Na semana seguinte foi formado o time profissional. Só que o time júnior foi desclassificado em Belo Horizonte para o Flamengo. E o profissional já tinha dois massagistas: o Celão, que trabalhou nas categorias de base do Cruzeiro e hoje está no Nacional de Nova Serrana, e o Testa. Na época, o presidente do Ipatinga, que era o Gercy Mathias, falou comigo que eu não poderia continuar no time porque já havia dois massagistas. Então eu aceitei ser mandado embora. Foi nesse período que eu me aposentei na Aciaria. Ele me pagou certinho, eu devo muita obrigação ao Gercy, uma pessoa muito honesta. Depois disso passei por vários times: Esportiva (de Guaxupé), Mamoré (de Patos de Minas), Varginha, Rio Branco (de Andradas), Uberlândia, Ideal (de Ipatinga), Guarani (de Divinópolis) e Nacional (de Nova Serrana). Passei ainda pela categoria júnior da Inter de Limeira e do Mogi Mirim.

JVA – Ao longo da carreira como massagista, qual a história mais engraçada que você vivenciou?

‘BUCHECHA’ – Vou contar uma do tempo do Clube Casa de Campo. O Rubinho Maia era presidente do clube e a gente foi fazer um jogo em Muriaé (MG). Naquele tempo eu gostava de ‘bochechar’, tomar umas cachaças. O nosso time ia jogar, mas eu falei com o Rubinho que antes da partida eu ia sair para tomar uma. Rodei algumas ruas da cidade e entrei num estabelecimento. Nisso pedi uma pinga. Quando percebi, eu tinha entrado em uma funerária (risos).

Arquivo JVA / Sérgio Roberto

‘Buchecha’ (2º à dir.) fez parte da comissão técnica do Ipatinga
JVA – Uma das suas características é a velocidade quando vai fazer o atendimento a um jogador dentro de campo. Precisa treinar para isso?

´BUCHECHA´ - Eu faço esse trabalho desde a década de 60. Eu corro. Naquela época, para me pegar só se fosse com tiro. Era difícil. Eu era novo e corria demais. De lá para cá, eu sempre treinei a corrida em duas ou três vezes por semana. Estou com 66 anos e ainda dou minhas 12 ou 14 voltas no campo do Social. Quando eu estou apertado, faço isso uma vez por semana. Quando estou mais folgado, dá para correr umas duas vezes. Eu agradeço muito a Deus, que está me dando vida e saúde para trabalhar e para correr.

JVA – Você já teve várias passagens pelo Social, tanto no profissional, quanto no amador. Qual é a sua relação com o clube?

´BUCHECHA´ - Aqui no Social todo mundo gosta de mim. Eu sempre tive um relacionamento muito bom com todos os diretores que passaram por aqui, desde os anos 60. Eu comecei aqui foi naquela época. Depois, quando o time foi profissional na década de 80 eu também estive aqui. Com o Social, sempre tive um convívio muito bom.

JVA – Como sua família lida com essa sua profissão de massagista?

´BUCHECHA´ - Eu tenho a profissão de massagista, mas também já tive outras profissões, inclusive registradas em carteira. Eu sou soldador e maçariqueiro. A minha família gosta muito de saber que eu exerço essa função de massagista, não se incomoda com nada. Meu garoto e minha filha gostam que eu me dedique. Sabem que eu me dedico ao esporte.

JVA – Pelo fato de passar muito tempo fora de casa por causa das viagens no futebol, sua família reclama?

´BUCHECHA´ - Eu mexo com futebol e pagode. Tem vez que eu saio daqui, e vou para um grupo de pagode e fico até 3h da manhã. Felizmente ninguém me amola. Quando eu me casei, eu avisei para a minha mulher que eu mexia com pagode e mexia com futebol. Se ela quisesse casar comigo, ótimo. Se não quisesse, ficaria tudo bem também. Graças a Deus até hoje ela não se incomodou com nada. Eu me casei com 27 anos. Agora em 2012 eu vou completar 40 anos de casado.

JVA – Como você vê a rivalidade entre Social e Ipatinga, dois clubes nos quais você trabalhou?

´BUCHECHA´ - A rivalidade é muito grande. Eu tive no Ipatinga e perdi para o Social em uma época em que o Saci não estava bom e tinha um time apenas razoável. Nós perdemos por 1 a 0 em Ipatinga com gol do atacante Washington. No Social eu já ganhei do Ipatinga também. Para mim, é uma rivalidade boba. Acho que os times deveriam se unir e deixar a rivalidade apenas para dentro de campo em dias de jogos. Fora, os presidentes deveriam conversar um com o outro. Levar raiva no futebol é bobagem. Rivalidade tem que deixar para os torcedores, mas apenas nas partidas mesmo. E tudo de uma maneira saudável também, sem violência.

JVA – Qual é o seu time do coração?

´BUCHECHA´ - O meu time do coração, em primeiro lugar, é o Vasco da Gama. Depois vem o Galo. E, claro, sempre torço também para o time no qual eu estou trabalhando, no caso atual, o Saci.

JVA – Qual foi a maior emoção que você viveu por causa do Vasco?

´BUCHECHA´ - O Vasco da Gama sempre montou times bons, mas minha grande alegria mesmo foi quando conquistou o Campeonato Brasileiro de 1974 sobre o Cruzeiro. Naquela decisão eu pulei e vibrei muito.

JVA – E com o Galo?

´BUCHECHA´ - Em 1971, a conquista do Atlético contra o Botafogo, no Brasileirão, no Maracanã, foi inesquecível. Foi uma vitória com placar apertado com gol de Dario. Eu ouvi o jogo todo pelo rádio. Sou atleticano até hoje e “doente no Galo” mesmo.

JVA – Quais foram os melhores jogadores que você viu passar pelo futebol profissional do Vale do Aço?

´BUCHECHA´ - Em 1995, o Helinho, um lateral-direito que jogou no Valério, foi um grande craque. Houve outros mais, como o William, zagueiro que jogou no Corinthians e no Grêmio, e aqui no Vale do Aço atuou pelo Ipatinga. Eu passei por grandes jogadores bons, tanto aqui (no Social), quanto no Ipatinga. Atletas de bom nível técnico mesmo.

JVA – O que você espera do torcedor do Social para a temporada 2012?

´BUCHECHA´ - A torcida do Social é muito boa. A Força Jovem e a Máfia Socialina sempre vêm para o campo para apoiar a equipe durante todo o jogo. No ano de 2011 mesmo, passaram o campeonato todo batendo palmas para o time, sem vaiar. Tomara que eles venham novamente para bater palmas porque o time precisa subir para a Primeira Divisão do Campeonato Mineiro. Os torcedores gostam muito de mim. Tem muita gente que me conhece. Eu espero que eles possam apoiar bastante o time na disputa do Estadual.

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