Em 2009, o Social disputava a Série A do Campeonato Mineiro, junto com a elite do futebol no estado. Naquele ano, após uma pífia campanha, foi rebaixado para a segunda divisão. Pior do que isto, reclamações de falta de pagamento de salários e outras dívidas eram constantes. O presidente na época, Ivam Medeiros, revelou que o clube estava atolado em dívidas, com um déficit de R$500 mil, e que deixaria o cargo antecipadamente. Entre várias informações não confirmadas, como a troca de direção, onde um grupo de empresários assumiria o clube, o veredito final fói trágico: o Social fecharia suas portas. Com a licença da Federação Mineira de Futebol, o Saci caiu para a 3ª divisão do Mineiro. Em 2011, um novo presidente aparece para tentar ‘reerguer’ o clube. Djalma Rodrigues, empresário conhecido na região foi o único candidato, eleito pelo Conselho Deliberativo. Sob sua presidência, o clube voltou ao Módulo II, onde realiza o último jogo neste sábado (14), na cidade de Formiga, contra o time da casa, apenas para cumprir tabela. Djalma revelou em entrevista exclusiva ao Jornal Vale do Aço ‘bastidores’ deste período de presidência, além de possibilidades para o segundo semestre. Adiantando: ele não quer que o time feche as portas durantes estes oito meses que faltam para o fim da temporada nacional.
JVA – A base do Social foi formada pelo Jordan no ano passado. O time ‘rendeu’ bem na Terceirona, se reforçou, mas ‘desandou’ no Módulo II. Quais foram as dificuldades na formação, na busca de reforços para a disputa do Módulo II e para a manutenção da base?
Djalma - Tivemos êxito na 3ª divisão em partes porque era um período diferente no futebol. No segundo semestre, como não tem mais os campeonatos estaduais sendo disputados, a oferta de jogadores é maior do que no primeiro semestre, e isto também interfere no preço dos atletas. Conseguimos montar um time bom para a Terceirona, custando pouco. Com o acesso, o cenário passou a ser outro. Passamos da Série B para o Módulo II. Quando a gente vai de um campeonato para outro as dificuldades aumentam. Todos os campeonatos dão prejuízo, nenhum dá lucro. Tivemos que correr atrás de patrocínio, pessoas de boa vontade, que queriam investir no time, e foi complicado encontrar. Mesmo com os parceiros que conseguimos, sobraram algumas rebarbazinhas de 2011, que nós mesmos bancamos e concertamos. Com isto não deu tempo para fazermos caixa para o próximo campeonato. Então entramos no Módulo II, que é um campeonato mais caro, sem a preparação necessária. Alguns patrocinadores aumentaram as cotas, mas o aumento ficou aquém da nossa necessidade. Isto dificulta a manutenção de uma boa base. E tínhamos outros problemas fora de campo. O Social estava bem ‘destruído’ quando a gente assumiu. Tivemos que preparar o estádio para poder receber jogos, o que representa gastos. O time tinha várias contas atrasadas e gastos anteriores, e isto interfere diretamente no caixa. Mesmo assim, com este elenco, a gente esperava um pouco mais. Na nossa expectativa cresceríamos no campeonato, o que não aconteceu.
JVA – Quanto custou o time que está disputando o Módulo II?
Djalma - Nosso gasto estava estimado em 800 mil, mas gastamos um pouco menos que isto. Tínhamos um elenco competitivo no papel. Mas sofremos com contusões. No último jogo tivemos uma tremenda dificuldade de montar uma zaga. Pegamos o Gilvan, que já jogou como meia, e colocamos como zagueiro, e ele se machucou também. Tinha o Andrey e o Rogério punidos com cartões e só o Rafael tinha condições de jogo. Montamos um bom elenco, capaz de chegar no quadrangular. Não temos um time para subir para a série A de forma folgada, mas um time competitivo. Não esperávamos as duas derrotas para o Tombense. Depois perdemos para o Poços, mas graças a Deus nos mantemos onde estávamos, na segunda divisão.
JVA – Como era a situação financeira do time quando você assumiu em 2011?
Djalma – Não temos um levantamento detalhado sobre as dívidas, mas posso garantir que eram muitas. Ano passado pegamos o Social com toda a renda das lojas comprometidas, tudo descontado direto na Imobiliária. Além disto, temos vários processos que estouram de vez em quando, que foram julgados a revelia. Só ficamos sabendo quando chega a conta. Uma conta de vinte passa para sessenta, e coloca na imobiliária e ela vai descontando. Pegamos tudo isto. Fomos sacrificados pelas dívidas antigas. Se tivéssemos recebidos os alugueis certinho, teríamos um time bem melhor. Aqui tudo é feito em cima da hora, ou melhor, antes da hora. Fazia-se a despesa antes de ter o dinheiro.
JVA – A diretoria tirou o Jordan, que tinha montado a base do time e trouxe o Zezito antes do confronto contra o Ipatinga. Foi uma decisão errada ou o clube não tinha alternativa?
Djalma - Muita gente até criticou a troca do treinador, mas naquele momento precisávamos mudar. Não tinha como manter, o time tinha perdido o foco. O Jordan saiu tranquilo, não tinha problema com ninguém, fez um bom trabalho, mas naquele momento precisávamos mudar. A imprensa sabe melhor do que a gente, mas foi comentado sobre as farras dos jogadores, que estas festas estariam interferindo, que teria atleta fazendo corpo mole. Tudo isto foi conversado, e resolvido. Acredito que a postura mudou, até pelo futebol apresentado. O time tinha perdido o foco, totalmente. Este ano a gente apanhou. Quando você apanha, você aprende. A gente está vendo que se algumas atitudes não mudarem vamos tomar porrada. Aprendemos e vamos mudar daqui para a frente.
JVA – Sem maiores pretensões no Módulo II, qual é a programação do time para o segundo semestre? E para 2013?
Djalma - Eu acredito que nada é por acaso. Agora vamos ter oito meses para nos prepararmos, para arrumar o caixa, para buscar parceiros, para montar um time melhor. Vamos dizer seis meses, que com dois tenho que estar com um time formado para ir treinando, preparando para a temporada. A ideia agora é tirar 30 dias de férias, sem pensar em nada. A expectativa é que 2013 seja melhor, que o time tenha fôlego para trabalhar, sem pressão. Só quem tá aqui dentro é que sabe como é, a pressão, a incerteza. Agora não, vamos planejar. Vamos saber o time que vamos montar, tudo programado, sem contar com os outros, mas de acordo com as nossas forças. Permanecer no Módulo II foi um ato guerreiro.
JVA - Você já está descartando a disputa da Taça Minas Gerais?
Djalma - Eu não estou te falando isto. Mas como a Taça é em agosto, vou tirar um mês de férias, pelo menos neste restante de Abril, e em maio vamos conversar.
JVA - O que o Social precisa para disputar a Taça Minas Gerais?
Djalma – Como ainda não cogitamos essa hipótese, não posso determinar certinho o que será necessário. A partir de maio estaremos conversando sobre isto, só a partir de maio. Claro que vamos estar conversando durante este período de férias, mas novidades mesmo só em maio. A intenção é não deixar o clube parado, fechado. Claro que vai depender da questão da verba, vamos calcular o que vai ser necessário, vamos ver o calendário, mas posso afirmar que se o nosso gasto na Taça Minas Gerais for igual ao do Módulo II vamos estar fora. Tem que custar muito menos. Vai que pegamos os mesmos clubes com que disputamos agora, que não se classificaram, e eles vem com força toda e a gente não, vamos preferir ficar de fora, saldar as nossas dívidas, arrumar o caixa, e tentar novamente o acesso a série A do Mineiro no ano que vem, com uma estrutura melhor.
JVA – A diretoria já não podia ter buscado parcerias visando o segundo semestre em paralelo ao Módulo II?
Djalma - Como nós temos uma equipe administrativa reduzida, não temos como dividir tanto as funções. Se tivéssemos um quadro maior, parte estaria cuidando do campeonato e outra já estaria se preparando para o segundo semestre. Não é o nosso caso. Trabalhamos com uma limitação, e temos que ter o foco em apenas um lugar. Terminou aqui é que vamos começar a pensar no que fazer a partir de agosto. A tendência é que liberemos todos os jogadores agora, porque os contratos terminam em abril e maio. Cada jogador vai cuidar da sua carreira. Depois vamos tentar montar uma nova equipe de acordo com a realidade e a necessidade. Quem sabe a gente consegue formar jogadores nas nossas categorias de base. Conhecer atletas da região que a gente não conhecia e que podem ganhar uma oportunidade. O Vale do Aço tem muito jogador bom, e de repente começamos a buscar novidades. Quem sabe podemos revelar jogadores para a Taça Minas Gerais, ou para o Campeonato de Junior. Se tivéssemos uma diretoria maior poderíamos ter trabalhado isto também. Em primeiro plano, temos oito meses até o próximo campeonato. Em maio vamos estudar as possibilidades.
JVA – Foi ventilado também um retorno com as categorias de base. A possibilidade já foi estudada pela diretoria?
Djalma - Sim, isto é possível. Na verdade, tanto a Taça Minas Gerais quando as categorias de base são possibilidades. Mas não sentamos ainda porque ainda estamos de olho no Módulo II. Podemos ficar em terceiro se vencermos o Formiga e o Poços perder, então vamos partir para cima. Na nossa situação, um terceiro colocado é uma posição honrosa, apesar de tudo o que aconteceu. Nosso foco ainda é no Módulo II, e depois nas férias.
JVA – A vitrine que a Copa do Brasil proporciona dá um incentivo a mais para o time tentar a vaga pela Taça Minas Gerais, que é o caminho mais rápido para a segunda maior competição nacional?
Djlama - Sim, a Taça Minas Gerais é o caminho mais rápido para a Copa do Brasil, aliás, é o único prêmio que a competição tem, mas se não tivermos uma equipe competitiva vai ser dinheiro jogado fora.
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