
Um dos jogos mais aguardados do ano pela imprensa e torcedores do Vale do Aço, o confronto entre Social e Ipatinga, no próximo domingo, às 17h, no estádio Louis Ensch, pela 4ª rodada do Campeonato Mineiro do Módulo II, agita a região. Será a primeira vez que este duelo será realizado em Coronel Fabriciano. Os três jogos oficiais em que Saci e Tigre se enfrentaram foram realizados no estádio Ipatingão, todos pelo Campeonato Mineiro. Foram duas vitórias socialinas e um empate.
Em razão da rivalidade em torno deste confronto, que transcende o âmbito das quatro linhas e entra na competitividade dos municípios de Ipatinga e Fabriciano, o DIÁRIO DO AÇO ouviu os prefeitos das duas cidades, para que pudessem opinar sobre as particularidades deste duelo.
Tanto o chefe do Executivo de Fabriciano, Chico Simões (PT), quanto o prefeito de Ipatinga, Robson Gomes (PPS), confirmaram presença no jogo de domingo. O prefeito fabricianense, que será o anfitrião, considera que o jogo de domingo marcará o encontro da “mãe pobre com o filho rico”.
Na visão de Chico Simões, o Tigre é um clube mais estruturado e representa o vizinho endinheirado de Fabriciano. O prefeito também cita Timóteo como outro filho rico. “O relacionamento entre Ipatinga e Coronel Fabriciano, com todo respeito que tenho pela Região Metropolitana, é sempre entre uma mãe pobre e os filhos ricos. Ipatinga e Timóteo são nossos filhos, nasceram de Fabriciano. Têm uma mãe pobre, mas têm uma mãe digna. Até os parabenizamos por isso, embora gostaríamos que houvesse um meio para que esses filhos colocassem um pouco da sua riqueza aqui. Mas sabemos que as leis não permitem”, observa Chico Simões.
Recursos
Chico Simões refere-se à disparidade de recursos entre Ipatinga e Fabriciano. Para se ter uma ideia, a previsão de orçamento do município de Ipatinga para 2012 é da ordem de R$ 669,9 milhões, enquanto a previsão para o município de Fabriciano é de R$ 200 milhões.
O reflexo está nos investimentos feitos nos clubes que representam as duas cidades. O governo de Robson Gomes já destinou R$ 3,3 milhões ao Ipatinga Futebol Clube. Neste ano, o governo de Chico Simões investiu R$ 100 mil no Social.
Não interfere
Embora considere o Tigre um clube de cidade rica, Chico Simões ressalta que isso não vai determinar um favorito no jogo de domingo. O prefeito usa uma metáfora para sustentar a tese de que o Social pode se manter invicto diante do seu arquirrival.
“Essa disputa entre a mãe pobre e o filho rico não vai interferir no resultado. Às vezes, uma pessoa mais humilde, com menos recursos, consegue ter uma vida mais tranquilha, com o pouquinho que tem, não com a velocidade que as pessoas mais ricas conseguem. Mas acabam no final conseguindo”.
Discordância
Robson Gomes discorda de Chico Simões quando o petista fala em jogo da “mãe pobre contra o filho rico”. Para o prefeito de Ipatinga, essa comparação não cabe no futebol. “Não concordo de maneira nenhuma. Futebol é disputado. São 90 minutos. Quem aproveita as melhores oportunidades é que sai na frente. Não tem esse negócio de pobre e rico. No futebol isso não existe”, enfatiza Robson.
O prefeito ipatinguense diz, ainda, que os investimentos feitos no Tigre pelo seu governo são em função do extenso calendário do clube em cada temporada. “Os investimentos são em virtude dos campeonatos que o Ipatinga disputa. Voltamos para a Série B do Brasileiro. Estamos trabalhando para voltar ao Campeonato Mineiro (da Primeira Divisão). São os campeonatos que determinam a necessidade dos investimentos”, afirma.
Sem pressão
No entendimento de Robson Gomes, embora o Ipatinga disponha de mais recurso financeiro, não é sensato dizer que o Tigre tem a obrigação de vencer o rival Saci no domingo. “Independe de investimento para que o Ipatinga vá campo e vença no próximo domingo, porque é clássico. E clássico é rivalidade. O Ipatinga pode estar melhor preparado. Mas a definição vai se dar dentro de campo”, defende.
Troca de gentilezas
Em clima de cordialidade, Chico Simões e Robson Gomes prometem se portar como cavalheiros no domingo. “Vai ser uma satisfação receber o clube Ipatinga aqui. Gostaríamos também de ter a presença aqui do prefeito de Ipatinga, Robson Gomes, que inclusive grande parte da sua vida morou no bairro Amaro Lanari, que é um bairro próximo de Ipatinga, mas é de Fabriciano. Então vai ser um dia marcante para a história do futebol e principalmente da Região Metropolitana do Vale do Aço”, comenta Chico Simões.
Robson Gomes retribui a gentileza e tece elogios ao colega. “O Chico é um amigo. O respeito como prefeito. Temos uma relação de amizade. De vez em quando eu ligo para ele. É uma pessoa que está sempre disponível. Acho que se existem as diferenças temos que trabalhar para fazer o melhor”, afirma Robson Gomes, fazendo questão de mencionar suas raízes no futebol amador fabricianense. “Minha família é do bairro Amaro Lanari. Inclusive, já joguei futebol amador em Fabriciano. Joguei pelo Caldeiraria, time do Amaro Lanari”, recorda o prefeito de Ipatinga.
Ipatinguenses vão entrar pelo portão 4 e terão regalias no Luisão
O Social informou ontem que a torcida do Ipatinga vai entrar pelo portão 4 no jogo do próximo domingo, às 17h, no estádio Louis Ensch. Os torcedores do Tigre terão um setor exclusivo à sua disposição, com banheiro e local com venda de água e comida. A Polícia Militar informa que não será permitido que torcedores do Ipatinga, vestidos com uniforme do clube, passem para a área da torcida socialina, e vice-versa.
A venda de ingressos para o jogo começa nesta quinta-feira, às 9h, em três postos de venda: na secretaria do Social e nas lojas Barrilzinho e Krakão, no Centro de Fabriciano. O bilhete para a arquibancada custa R$ 20,00. A entrada para o setor das cadeiras cobertas custa R$ 30,00. Crianças até 12 anos, idosos e estudantes pagam meia-entrada. Serão colocados à venda 2.290 bilhetes. A torcida ipatinguense terá direito a 10% da carga de ingressos (229). No intervalo do jogo, será sorteada uma moto 0 km.
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