Diego Carvalho

Natural de Coronel Fabriciano, ‘Moiado’ acredita na vitória sobre o Tigre neste domingo
Por Diego CarvalhoNatural de Coronel Fabriciano, ‘Moiado’ acredita na vitória sobre o Tigre neste domingo
Quem acompanha os jogos do Social no estádio Louis Ensch certamente já se encontrou com o senhor José Celso de Paiva, 53 anos. Ele já é marca registrada do clube e acompanha o time desde a infância. No entanto, não é muito conhecido pelo nome, mas pelo apelido: ‘Moiado’. Filho de uma família tradicional de Coronel Fabriciano, ele tem um rito para os jogos do Saci dentro de casa, no qual há a concentração e a ida em grupo para o campo. No próximo domingo não será diferente. Contra o Ipatinga, ‘Moiado’ espera que o time fabricianense consiga um triunfo empurrado pela massa presente na arquibancada.
JVA – Quando você passou a acompanhar o time do Social?
JOSÉ CELSO DE PAIVA (‘MOIADO’) – Já tem muito tempo que eu sou socialino. Passei a acompanhar o time mais de perto a partir da década de 1990, com o grande trabalho dos técnicos José Ângelo (Preca) e Luciano Pascoal, já falecido, na época do presidente Adílio Coelho. E hoje posso ver que o time tem mais um grande presidente, já que o Djalma Rodrigues tem feito um ótimo trabalho à frente do clube. E outra situação interessante é o time manter a regularidade, porque o “cai-cai / sobe-sobe” não faz bem para o time.
JVA – E como surgiu essa paixão pelo clube?
‘MOIADO’ – Isso já faz muito tempo. Desde que eu era criança, por volta dos 11 anos, ainda na década de 1970, passei a acompanhar o time. Eu me lembro que havia, na época, muitos jogos aqui em Coronel Fabriciano. E eu tive um irmão que jogou no Social. Era um timaço, o Social disputava futebol amador regional e ganhava muitos títulos. Foi assim que surgiu meu interesse. Depois passei a acompanhar o time em uma época em que o Roberto Carlos, atual auxiliar técnico do clube, era o goleiro. E depois veio o profissionalismo. Quando comecei a acompanhar o time, eu ainda não tinha apelido. Mas eu sempre gostei de tomar uma cachacinha e uma cerveja. O pessoal me chamava para tomar Coca Cola, mas eu preferia algo diferente (risos).
JVA – Qual foi o grande craque que passou pela equipe?
‘MOIADO’ – Na época em que o José Ângelo passou por aqui, teve um jogador que foi muito bom: o Serginho. Se ele fosse ruim de bola, talvez estivesse por aqui até hoje. Mas ele era muito bom e foi para o São Caetano. Por infelicidade acabou morrendo. De toda forma, se você pegar os times montados na década de 1990, você tira o chapéu. Eram muitos craques.
JVA – Por que os torcedores do Social são tão inflamados?
‘MOIADO’ – É porque Coronel Fabriciano tem a melhor torcida do mundo. Nós não brigamos com ninguém. Gostamos de vir a campo para empurrar o time. E o time também empolga a torcida dentro de campo. A gente sempre acredita nos gols. E isso é bom porque também faz com que os jogadores se motivem a atuar pelo Social. Pegue, por exemplo, o caso do goleiro Rodrigo Posso. Ele teve propostas para sair do time, mas preferiu ficar. Você vê que o próprio Ipatinga não tem muitos torcedores. Quem está lá gosta de ver o Social.
JVA – Como você avalia essa rivalidade entre Saci e Tigre?
‘MOIADO’ – Acho importante isso porque leva muitos torcedores para o estádio. Nós (socialinos) somos corajosos e sempre vamos apoiar o time lá (em Ipatinga). Desta vez eles vão ter que vir aqui no estádio Luisão para acompanhar a partida. Será uma festa bonita das torcidas no domingo.
JVA – Você está confiante quanto à participação do Saci no Campeonato Mineiro do Módulo II?
‘MOIADO’ – Para o jogo de domingo eu estou confiante que será 3 a 1 para o Social. Isso se o árbitro não influenciar dentro de campo. Agora, para a competição tem que abrir o olho. Futebol é jogado e lambari é pescado. De qualquer forma espero que o Saci consiga voltar para a primeira divisão.
JVA – Qual é sua rotina em dias de jogos do Social?
‘MOIADO’ – Eu faço parte da torcida Máfia Socialina. A gente sempre se concentra no Barrilzinho. E depois a gente vem para o campo, sempre com a empolgação para empurrar o time, cantando o tempo todo. Eu sempre sou o primeiro a entrar no campo. Eu tomo conta da charanga e da faixa da torcida também.
JVA – O torcedor socialino será o 12º jogador do time no domingo?
‘MOIADO’ – Sem dúvidas. Nós vamos apoiar. Espero que o estádio esteja lotado no domingo. E faço o convite para que os torcedores possam comparecer. O jogo é às 17h, ou seja, em um horário bom. O sol já vai estar quase sumindo então deve estar agradável. E também vai ter o sorteio de uma moto para incentivar a presença do público. Tomara que o Social consiga mais uma vitória sobre o Tigre.
Trocou o Cruzeiro pelo Tigre, e não se arrependeu
Vinícius Ferreira

Feliz com os últimos resultados, Jesinho, um ex-cruzeirense, hoje ‘quadricolor’, acredita que o time está no caminho certo
Por Vinícius FerreiraFeliz com os últimos resultados, Jesinho, um ex-cruzeirense, hoje ‘quadricolor’, acredita que o time está no caminho certo
Ele nasceu em Santana do Paraíso, mas se diz ‘nata’ de Ipatinga. Da linhagem do pioneiro Jamill Selim José de Sales, Jésus Anício de Oliveira Junior, mais conhecido como ‘Jesinho da Dulce Flores’, mesmo com seus 61 anos e o excesso de cabelos brancos, não perde um jogo do Ipatinga, sendo um dos mais emblemáticos torcedores do ‘quadricolor de aço’. Até em treino o torcedor está presente. Mas nem sempre o torcedor teve toda esta paixão por futebol, tudo começou em 1999, curiosamente, com um vaso de flores.
JVA – O que levou você a torcer pelo Ipatinga?
JESINHO – Não era muito esportista não, torcia pelo Cruzeiro, mas era bem tranquilo, sem muito fanatismo. Em 99 (pouco mais de um ano após a mudança de Novo Cruzeiro F.C para Ipatinga Futebol Clube), um dos jogadores do Ipatinga, zagueiro chamado Johan, comprou um vaso de flor na minha loja. Se apresentou como jogador de futebol e me convidou para assistir uma partida. Fui no jogo seguinte, e passei a torcer mesmo pelo Ipatinga. Desde então venho em todos os jogos, em treino, chamo torcedores, vendo ingressos, torcedor assíduo.
JVA – Torcedores sempre expressam a paixão pelo clube com camisas, bandeiras e outros produtos com a marca da equipe. Você tem muitas camisas do Ipatinga?
JESINHO – Devo ter mais de 50 camisas do Tigre em casa, algumas autografadas, além de bonés, shorts, chinelos, chaveiros e outros apetrechos verdes. Mas o principal é a medalha de ouro do Mineiro de 2005, linda.
JVA – Qual o ‘tamanho’ da torcida do Ipatinga ?
JESINHO – O Ipatinga tem cerca de mil torcedores assíduos, daqueles que, quando questionados sobre qual o seu time, a resposta é ‘Ipatinga’ em primeiro lugar, e os outros times mais famosos em segundo e terceiro plano.
JVA – Você vai sempre ao Lamegão. Mas e quando o time joga fora, você vai junto?
JESINHO – Costumava acompanhar mais. Tenho obrigações aqui que não me deixam mais viajar tanto, e tem a questão da idade também. Já viajei para ver o time no Espirito Santo e sempre ia a Belo Horizonte. Acompanhei as finais do Mineiro de 2005, o momento mais ‘glorioso’.
JVA – Falando em ‘final do Mineiro’, foi este o jogo mais marcante do Tigre pra você?
JESINHO – Não, não foi. Para mim, o principal jogo foi contra o Flamengo aqui no Ipatingão (10 de maio de 2006), pela Copa do Brasil. Estádio lotado, semifinal da Copa do Brasil. Naquela época tinha 40 mil torcedores, sem estas cadeiras. Agora não dá nem 20 mil, é brincadeira. O título Mineiro foi a maior glória da equipe, e eu estava lá. Eu chorei viu, ver o time ser enaltecido desta forma, imprensa de São Paulo aqui pedindo entrevista para a gente. Foi sensacional, algo de arrepiar. O time chegando à cidade no carro do corpo de bombeiros, desfilando pela cidade, foi uma cena marcante. Mas não supera, a meu ver, a emoção do jogo contra o Flamengo aqui.
JVA – Qual o principal jogador do elenco atual?
JESINHO – Wellington Bruno, em minha opinião. Nós temos o Bruno, o Cláudio Luiz, zagueiro, o Azevedo, o Leandro Salino e o Jonathas Obina, jogadores que estão crescendo, além do Bruninho, que está rendendo mais agora, com boas atuações. Mas a referência do time para mim é o Wellington Bruno, o que mais se destaca.
JVA – O Ipatinga disputa este ano o módulo II do Mineiro, a série B do Brasileiro e a Copa do Brasil. Até onde você acha que o time pode ir, vendo não como torcedor apenas, mas sendo realista.
JESINHO – Voltar a série A do Mineiro é obrigação. Nós temos um time para disputar com os melhores de Minas, e não com a série B do estado. Sobre a série B, permanecer na competição deve ser a meta. Não adianta subir pra A e cair no ano seguinte. Se fizermos uma belíssima disputa da B, ficando entre os dez, tá de bom tamanho. Copa do Brasil é um campeonato difícil, mata-mata. Se passarmos da primeira fase já pode pegar o Grêmio, então é complicado. Mas ir pra A do Mineiro é obrigação.
JVA – São mais de 12 anos de paixão pelo clube, qual o seu grande sonho, um título nacional? Outro Mineiro?
JESINHO – Não são sonhos em campo. Quero é ver o time ser reconhecido na cidade, pelos empresários, pelos torcedores. Entenderem o que representa o time do Ipatinga para a região, para os nossos jovens. O time tem mudado a vida de muita gente, eu já trabalhei com crianças, e vejo como o esporte pode mudar as perspectivas. O esporte é um caminho, um bom caminho. Com a expectativa da Copa do Mundo então, o futebol vem ganhando ainda mais força.
JVA – Para fechar. Você trocou o Cruzeiro pelo Ipatinga, o azul pelo verde. Arrependeu-se alguma vez?
JESINHO – De forma nenhuma. Sou muito mais feliz com o quadricolor do que com a Raposa, e hoje simpatizo mais com o Galo do que com o Cruzeiro, acho isto até engraçado.
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